01 / A isca
A BETTER VERSION OF YOURSELF, dito com a naturalidade de um anúncio de creme. É a isca do filme, citada sem aspas.
Uma landing page fictícia para o Activator, o produto do filme The Substance. Sem cliente e sem briefing: o objetivo era treinar direção de arte a partir de uma linguagem visual que já existe e construir três interações que eu ainda não tinha prototipado no Figma.
The Substance vende juventude como produto: uma injeção que promete outra versão de você — mais jovem, mais bonita, mais perfeita — e cobra por isso.
Se o Activator estivesse mesmo à venda, que site ele teria? O exercício se resumiu a três grupos de perguntas:
A resposta óbvia era imitar skincare de luxo. A interessante era deixar o desconforto aparecer no meio do caminho.
“Ative uma vez. Estabilize todo dia. Troque a cada sete dias. Sem exceção.” — as regras do produto, tiradas do filme
Não houve pesquisa com usuários — não existe usuário. O trabalho foi de repertório: assistir ao filme prestando atenção nos letreiros, ler o material de campanha da MUBI e olhar de perto o produto que aparece em cena.
“Repetição é a mensagem.”
YOUNG. BEAUTIFUL. PERFECT. é o discurso do produto e a armadilha do filme. Repetir isso página abaixo, até passar do confortável, vira a copy contra aquilo que ela vende.
“O verde não é enfeite.”
É a cor do líquido. Deixar ele só no produto e nos botões mantém a página fria e faz o frasco puxar o olho sozinho.
Frames do filme e o material da MUBI num painel só. A grade saiu dali: margens largas e tipografia sangrando até a borda.
As regras do produto já estavam no roteiro. Escrevi a página inteira em texto puro antes de abrir um único frame.
O verdadeiro objetivo do exercício: splash antes do scroll, texto fixo enquanto a seção passa e um marquee infinito correndo na horizontal e em círculo.
A BETTER VERSION OF YOURSELF, dito com a naturalidade de um anúncio de creme. É a isca do filme, citada sem aspas.
O Activator fotografado como cosmético de luxo, com as três regras do filme ao lado e um único botão.
Fundo preto, o letreiro em tamanho de pôster e o marquee correndo atrás dos créditos.
Trabalhar sem briefing é mais difícil do que parece. Sem ninguém para dizer não, a única régua que sobra é a referência escolhida no começo.
Escrever a copy antes do layout economizou a semana inteira. Com o texto resolvido, a tipografia vira decisão de hierarquia em vez de preenchimento.
As três interações levaram mais tempo que todo o resto da página junto — e foram o único motivo pelo qual o projeto existiu.
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